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17h00

Fortalecer os sistemas de saúde ao redor do mundo por meio de soluções que tenham como foco o uso da Inteligência Artifical (IA). Esse é o objetivo do HSIL Hackathon, iniciativa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que reuniu inovadores em 36 países para a construção de sistemas de alto valor. No Brasil, Natal foi uma das três cidades a sediar o evento, sendo a única do Norte e Nordeste. Promovido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), que atua como hub da Escola de Saúde de Harvard, o HSIL reuniu 70 participantes em 11 equipes na capital potiguar.
O empresário e técnico em informática, o potiguar Alexsandro de Souza, de 38 anos, integrou a equipe Nexo Saúde, que levou para o evento a ideia de um sistema que deve facilitar o atendimento de pacientes em unidades de saúde de Natal e reduzir filas de espera na rede. “A gente pensou no paciente que muitas vezes sofre para chegar à Unidade Básica de Saúde (UBS) porque tem um problema de mobilidade, por exemplo, e que nem sempre conhece os processos de atendimento adotados, mas ao mesmo tempo tem dificuldades com a tecnologia”, afirmou.
“Então, nosso sistema é uma espécie de chatbot capaz de trascrever áudios para gerar uma classificação do paciente através das informações disponibilizadas por ele próprio, de acordo com o grau de risco – do mais simples ao mais grave – para o agente de saúde que o acompanha. O médico também participa desse acompanhamento sem que seja preciso sair do posto de saúde, deixando a visita domiciliar apenas para quando for estritamente necessário. Isso também ajudará o paciente porque, quando ele entra em contato com a unidade de saúde, as respostas nem sempre são hábeis”, detalha Alexsandro.
Outra ideia levada ao evento foi debatida pela equipa PrivHealth, formada por integrantes de Fortaleza (CE), que tem como proposta criar um grande ecossistema de Inteligência Artificial na área da saúde com foco na privacidade e produção de dados, como explica o advogado e estudante de Computação Silvio Gonçalves, de 30 anos. “Nosso principal objetivo é utilizar a tecnologia de modo a torná-la mais adequada à proteção de dados. E aqui é um local ótimo para apresentar essa ideia, porque tem gente do Brasil inteiro. Então, está sendo uma grande oportunidade de desenvolver networking”, diz.
O HSIL Hackathon ocorreu entre 9 e 11 de abril de forma simultânea em mais de 40 hubs em 36 países, reunindo 500 equipes e mais de 14 mil participantes em 19 centros globais. Além do LAIS/UFRN, a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Universidade de Brasília (UnB) integram a rede brasileira do projeto.
As equipes vencedoras recebem suporte contínuo por meio do Venture Incubation Program, que oferece semanas de mentoria e educação estruturada para amadurecer os empreendimentos. Caldeira Silva, coordenador do evento e pesquisador do LAIS, celebrou a realização da iniciativa em Natal e elogiou as propostas de soluções apresentadas. “Foram discutidas ideias com incrível potencial, em variados estágios. Os vencedores passarão por duas etapas, as quais vão se afunilando ao redor do mundo. Em uma delas, serão escolhidas 120 propostas”, afirmou.
A última etapa irá selecionar 20 equipes, cujos projetos irão para a fase de incubação. Em Natal, o hackathon reuniu representantes de órgãos públicos, instituições de ensino e empresas, como TCU, CGU, secretarias estaduais de saúde, IFRN e universidades federais, além de estudantes das áreas de tecnologia e saúde.








