A Quaresma é um período de reflexão e cuidado com o próximo para muitos católicos. Esse cuidado se transforma em ação em projetos como a Toca de Assis, em Natal, que oferece alimentação, cuidados médicos, higiene e acolhimento a pessoas em situação de rua e extrema vulnerabilidade. Em alusão à Páscoa, o projeto promove ações como a participação dos acolhidos na Via Sacra.
O projeto Toca de Assis existe há 32 anos e funciona inteiramente com doações e trabalho voluntário de religiosos, leigos e padres em Natal.
Ao chegar à unidade de acolhimento, os voluntários encontram pilhas de roupas limpas, estoques de materiais de higiene pessoal e alimentos, todos fruto de doações de empresas, parceiros e pessoas da comunidade. Cada item é destinado a atender a população em situação de rua e extrema vulnerabilidade, garantindo que o cuidado oferecido vá além do básico, incluindo dignidade e atenção integral.
Ao chegar à casa, os acolhidos passam por uma triagem inicial, que permite à equipe compreender sua situação e guardar com segurança os pertences pessoais que possam ter.
Os acolhidos passam o dia na unidade, onde recebem banho, alimentação, corte de cabelo e cuidados médicos, mas não dormem no local. O espaço funciona como um ponto de referência constante, permitindo que pessoas em situação emergencial encontrem apoio imediato, orientação e assistência social.
A casa funciona como um ponto de referência, garantindo atendimento para quem procura ajuda de forma espontânea. Segundo Marco Lira, coordenador da fraternidade Toca de Assis em Natal, a missão do local é unir fé e ação social, o que se alinha com o período religioso. “A Quaresma nos pede para olhar para dentro de nós e, ao mesmo tempo, olhar para o outro. A Toca cuida das pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo mais do que um prato de comida: oferece atenção, dignidade e apoio em várias áreas da vida”, explica.
Entre as ações mais estruturadas da Toca estão a Manhã de Convivência, realizada todo terceiro domingo do mês, que atende mais de 100 pessoas com serviços de saúde, higiene e acolhimento; a Pastoral de Rua, que vai até calçadas e marquises para levar alimento, lençóis e palavras de fé; e a Igreja de Justiça na Praça, que oferece orientação jurídica e social à população em vulnerabilidade, incluindo atendimento médico, emissão de documentos e apoio psicológico.
Durante a Quaresma, a instituição também organiza a Via Sacra nas ruas de Natal, permitindo que pessoas em situação de vulnerabilidade, além de pessoas idosas ou acamadas, participem das celebrações em suas próprias casas, com pequenas estações montadas nas calçadas e acompanhamento dos voluntários.
“Temos um grupo fixo de cerca de 30 voluntários, mas contamos com profissionais de diversas áreas, como médicos, dentistas, psicólogos e advogados, sempre que realizamos missões maiores, como no Natal ou na Quaresma”, detalha Íris Marroque, também coordenadora da fraternidade da Toca na capital. “A Toca de Assis não é só um projeto; é uma presença constante para quem precisa. As pessoas sabem que podem contar com a gente.”
Os religiosos da Toca seguem a tradição franciscana e usam camisas marrons, que simbolizam humildade e simplicidade. “Não é cuidar simplesmente para entregar um prato de comida. Mas entregar uma coisa é muito difícil, mas é muito linda, pelo amor de Deus”, disse Marco.
A rotina da Toca inclui ainda atendimentos pontuais durante a semana, com o consultório de rua e a casa aberta para acolhimento de quem busca ajuda. “Muitas pessoas chegam aqui sem saber o que fazer, sem documento, machucadas ou em situações complicadas. Nós buscamos soluções, sempre respeitando a dignidade de cada um”, conta Íris.
Além do atendimento diário, a comunidade oferece caminhos de recuperação para pessoas que desejam superar dependências químicas, garantindo apoio físico, emocional e espiritual.
Cada ação é planejada de forma a respeitar a escolha e o ritmo de cada pessoa, reforçando a ideia de dignidade e autonomia. “Isso que é a Quaresma: ir ao outro, cuidar do outro. Fazer o que Jesus mais fez na Terra, e a Toca tem essa missão, de cuidar das pessoas em situação de horror”, disse Marco Lira.








