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Projeto ajuda mães que perderam filhos na gestação ou após o parto

A dor da perda de um filho é uma experiência difícil. Algumas mães passam pela perda ainda na gestação ou após o parto e, além de passar pelo sofrimento do luto, encontram o silenciamento da sociedade em relação a falar sobre morte. A Maternidade Escola Januário Cicco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), vinculada à Rede Ebserh, realiza o acolhimento das famílias que passaram pela perda gestacional com o projeto Com Amor. “Além de acolher essas mães, a gente começou também a disseminar o conhecimento sobre o processo de luto, a necessidade de ressignificar essa perda com os profissionais aqui da maternidade”, destaca Gildeci Pinheiro, assistente social da MEJC-UFRN.

Participante do projeto, Vilma Alves, 39, é de Jucurutu e participa dos encontros de forma online desde 2022. Com apenas 6 meses de gravidez, Vilma entrou em trabalho de parto, em dezembro de 2021. O filho Miguel Santana passou 4 dias na UTI, mas não resistiu e faleceu. Para Vilma, a participação no projeto foi crucial para passar pelo processo de luto. “Para mim, aquele primeiro ano é sempre mais difícil, mas eu sempre fui bem acolhida, tanto pela equipe, quanto pelas mães. Elas (outras mães) sempre me ajudaram e eu acredito que hoje eu estou de pé, agradeço primeiramente a Deus, e segundo a um grupo, o Com Amor. Como o nome fala, realmente ele é com amor. É com amor que somos bem acolhidas, é com amor que somos ouvidas, é com amor que a nossa história, ela tem validade”, revela Vilma.

Gildeci explica que o projeto para famílias que perderam seus bebês traz a conversa sobre a história de cada uma, debate estratégias para passar pelo luto, e muitas vezes trabalha com datas importantes. “Sempre a gente trabalha com datas importantes referente ao luto. Hoje (15) é o Dia Internacional de Conscientização sobre a Perda Gestacional, Neonatal e Infantil, a gente também procura um trabalho no Dia dos Pais, de ressignificar essa vivência do ser pai de uma criança que morreu”, explica.

Raissa Souza, 32, começou a participar dos encontros deste ano, após perder os gêmeos em março, com apenas 5 meses de gestação. Raissa se sente acolhida no grupo e revela que conseguiu participar aos poucos. “No começo, é tudo muito difícil. Porque a gente está muito fragilizada com toda a situação, como eu entrei logo assim realmente no comecinho da pré-gestacional, foi muito difícil estar lá. Então, antigamente eu era mais ouvinte do que participante. Mas hoje, eu posso dizer que o projeto ele vem me salvando. Porque é lá no projeto que a gente tem uma voz ativa. A gente se encontra com outras mães que passaram pelo mesmo processo e que entende a dor por que a gente passa”, relata Raissa.

A assistente social da MEJC-UFRN reforça a importância da sociedade acolher e ver as famílias enlutadas dentro do contexto de maternidade e paternidade. “De ver esse pai, essa mãe que perderam seus filhos dentro do contexto de maternidade e paternidade. E também é reforçar a rede de apoio dessas mães. A nossa cultura é de não falar da morte para não atrair, mas é um processo natural, que a gente precisa trabalhar e falar e dar essa visibilidade”, pontua Gildeci.

Sobre Com Amor

O projeto Com Amor iniciou em 2016, após a maternidade perceber que as famílias enlutadas saíam sem referência para uma rede que pudesse acolher o luto. Foi quando iniciou o convite de encontros presenciais para as mães. Atualmente, em torno de 26 mães participam do grupo de WhatsApp do projeto, e seis participam regularmente das reuniões.

“A gente começou a convidar essas mães voluntárias para participar de reuniões aqui com a equipe multiprofissional. Quando a gente abriu um espaço de compartilhamento da história de amor delas, elas compartilhavam como estavam vivenciando o luto. Então era também um espaço de dar visibilidade a essa dor e a essa perda”, explica Gildeci.

Com o passar dos anos, o Com Amor virou um projeto de extensão da UFRN. Com a pandemia, o projeto iniciou um formato híbrido, com encontros online e dois encontros presenciais, duas vezes por ano. As mães enlutadas contam com obstetra, hematologista, psiquiatra, terapeuta ocupacional e educador físico. Ao todo, são 4 graduandos, 2 pós-graduandos e 16 profissionais que compõem o projeto.

Para participar do projeto Com Amor, a mãe pode buscar a ação na Maternidade Escola Januário Cicco, localizada no bairro Petrópolis, em Natal. Após falar com o grupo responsável, será analisada a quantidade de participantes para assim conseguir chamar a mãe para integrar o grupo.

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