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Relembre caso de professor condenado por matar e enterrar ex-aluna com quem teve relação

A jovem Letícia Dyrajaya da Silva Leão, 24 anos, foi morta no dia 15 de maio de 2020. Ela foi assassinada e teve seu corpo ocultado em um condomínio do ex-professor Rubens Ferreira de Paiva Junior, 32 anos, com quem teve um relacionamento. O caso voltou à tona nesta quarta-feira (6) após a TRIBUNA DO NORTE publicar reportagem detalhando que o professor continuou recebendo salários pelo cargo de docente em uma escola estadual, mesmo depois de condenado, até julho do ano passado, representando um montante de R$ 174.411.

O professor foi preso em 27 de maio de 2020, dias após o cometimento do crime, praticado no Jardins, São Gonçalo do Amarante. Ele ficou na cadeia preventivamente até a Justiça proferir a sentença de 18 anos, momento no qual o professor começou a cumprir a execução penal. A progressão de pena para o regime semiaberto está prevista para o próximo mês de setembro.

Relembre o caso:

De acordo com as investigações da Polícia Civil e Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), Rubens e Letícia se conheceram em uma escola privada e mantiveram um relacionamento extraconjugal por um ano enquanto ele ainda era casado. Ele professor, ela aluna. A esposa descobriu a traição e os dois se separaram. Após o rompimento, a estudante acreditava que o professor assumiria a relação, motivado justamente pela descoberta da então esposa. À Polícia Civil, Rubens confessou o crime e declarou que sofria pressão da vítima para que o relacionamento fosse “oficializado”.

O promotor de Justiça Fausto França, que acompanhou o caso, quando atuava na comarca de São Gonçalo do Amarante relembra as circunstâncias do início do relacionamento dos dois. “Ele era professor de várias escolas, de escola técnica, conheceu ela, mas era casado, tinha filho, e teve esse relacionamento com ela. Aconteceu que a esposa do Rubens descobriu. Ele estava tomando banho, deixou o celular de bobeira, a mulher viu uma mensagem, e se separou dele. Ele confessou à esposa que tinha realmente esse relacionamento com a Letícia”.

No entendimento da investigação, foi esse sentimento de esperança que motivou Letícia a aceitar o convite para ir à casa de Rubens, na noite de 15 de maio de 2020, quando foi brutalmente assassinada por asfixia e cutiladas e enterrada no quintal da residência do professor. “Na cabeça da Letícia, uma vez que ele tinha deixado a esposa, ela estava feliz porque agora ele iria assumi-la”, diz França. A promotoria se baseia nesse aspecto para apontar a premeditação do crime “Ele não tinha mais nada com ela, então chamou ela para quê?”, completa.

Após matar Letícia, Rubens a enterrou em uma cova no quintal, com uma pá emprestada. O crime foi desvendado dez dias após o desaparecimento da vítima. Ainda segundo a Civil e o MP, após os crimes, o professor acessou o celular da vítima e enviou uma mensagem para a família de Letícia e escreveu uma carta de despedida, se passando pela própria vítima, dando a entender que o caso tratava-se de um suicídio. À época, a situação era tratada como desaparecimento.

“A família percebeu que ela não chegou em casa, ela ficou como desaparecida naquele primeiro momento. O Rubens fez mais: ele pegou o celular dela, conseguiu a senha, e mandou uma mensagem para a família, como se fosse a Letícia dizendo que ia se suicidar, uma carta de despedida. Uma forma de dificultar a investigação, de criar outra linha”, detalha Fausto França. Os investigadores descobriram a mentira após uma visita ao condomínio de Rubens.

Depois de uma entrevista, na saída da casa, um dos agentes notou um quadrado de terra, de coloração diferente, como se estivesse sido recentemente remexida. A dupla de policiais civis questionou Rubens, que, encurralado, confessou o crime. Ele foi preso em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver e desde então está preso. “Quando os agentes insistiram e levantaram a hipótese de um familiar ter envolvimento, ele assumiu, disse que tinha feito sozinho, desabou e confessou”, conta o promotor.

Rubens Ferreira de Paiva Junior foi condenado a 17 anos de reclusão pelo homicídio qualificado e mais 1 ano pelo crime de ocultação de cadáver. A pena de 18 anos está sendo cumprida inicialmente em regime fechado, conforme prevê o Código Penal. O Ministério Público recorreu por entender que a condenação deveria ter sido mais severa, mas o órgão só conseguiu elevar a pena em seis meses.

“A gente recorreu para o tribunal e no final ficou 18 anos e meio. Só conseguimos seis meses a mais. Há algumas questões sobre a dosimetria da pena, que eu particularmente tenho, porque eu acho que poderia ser um pouco maior. Mas é uma questão da legislação mesmo que é preciso compreender”, diz Fausto. Ele também critica a brevidade do tempo de reclusão. “Está marcado para ele ir para o semiaberto em setembro agora. Em 2025. Quer dizer, são 5 anos e 5 meses. É muito pouco”, complementa.

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